julho
Sigo carregando os afetos
cerâmica
Sigo investigando a argila, encostando sua textura na minha pele e compondo com ela encontros. As vezes delicados outros intensos, tecer um tempo entre o encontro do corpo com a matéria e outro tempo de escuta da argila.
mudar :
uma casa orgânica, que tenha fluxos e que não seja simétrica em tudo. A simetria também é uma forma de colonizar. A simetria foi usada como ferramenta de controle e ordem nos processos coloniais. Tento pensar em como criar gestos orgânicos e não tão simétricos na casa. Acomodar o corpo na assimetria é tambem descolonizá-lo. Conviver com o que está deslocado do centro e desalinhado é uma forma de se conectar com a essência da floresta, com o caos necessário pra que a vida pulse
Reflexões sobre a vida e o desenho.
O caderno pra mim é como uma extensão do meu corpo. É o lugar onde eu faço anotações, pesquisas, desenhos, e especialmente crio conexão entre as coisas. As anotações são de várias ordens, fragmentos de coisas que eu leio, desenhos de observação, desenhos a partir de documentários e fotografias feitas em lugares diversos.
Sou uma colecionadora de experiências, de estados de sentir, é como se eu estivesse sempre atenta em como as coisas do mundo me tocam. Nas palavras que surgem, nas imagens, nos sons. O tempo estendido das coisas éi o que mais me afeta. Eu fazer uma coisa por dia de forma plena e observar a vida acontecer ao meu redor. Olhar os movimentos. Estar com as pedras, águas e plantas na sua plenitude.
desorientação coletiva
Estou pensando, já tem um tempo a voltar com os encontros de acompanhamento online. Tenho feito isso de forma individual mas agora resolvi propor um grupo de 3 meses. A idéia são conversas e acompanhamento de processos e projetos. compreender nuances do trabalho, pensar possibilidades de circulação, olhar portfólios e pensar coletivamente.
Os encontros são para artistas de qualquer linguagem e área, aberto para pessoas que queiram acompanhar, curadores interessados em processos, enfim... aberto para quem sentir o chamado.
Encontros online, gravados que ficam disponíveis depois dos encontros.
Eu aprendi com um amigo esse termo desorientar e adoro. Porque em um mundo colonizado e cheio de regras e limitações talvez o caminho seja a gente se deslocar dessas ideias fixas e investigar outras possibilidades.
É um convite para refletir sobre o mundo e a arte. Sobre os processos e as possibilidades. Vamos questionar, pensar juntos e desenhar nossas proposições no mundo baseado no afeto e na coerência com quem somos na vida.