
Coletividades
De dois anos para cá tenho experimentado cocriações com outros seres mais que humanos e com humanos também. Já há algum tempo ando desconfiada da autoria de uma única pessoa a um trabalho já que estamos no mundo o tempo todo em relação. Tenho pensado de que forma podemos viver cada vez mais em relação, no plural, junto, no coletivo.
As coletividades são as experimentações a partir de criar junto, não coisas diferentes, mas a mesma coisa. Uma criação plural que leva em consideração as possibilidades individuais compreendendo o potencial de cada ser. São fazeres de autoria compartilhada, que contém gestos múltiplos e se sustentam na coletividade. As vezes são espaços de convivência, de experimentar o tempo juntes, conversas, escuta, contemplação... outras vezes são criações como exposições em galerias e bordados coletivos em espaços públicos.
Novas formas de estar juntos sem competir, sem excluir, recebendo o que cada um pode oferecer a partir da sua experiência de estar no mundo.
Me interesso em pensar o mundo como pluriculturas, relações não monogâmicas e não colonizadas. É um vislumbre que me faz fazer escolhas o tempo todo e ter cada vez mais consciência de tudo embora nem sempre consiga agir da forma como eu gostaria. Sou um ser em transformação e para isso me coloco disponível e vulnerável para me relacionar e experimentar. Me misturar com outros artistas para criar junto é uma forma de tentar compreender a natureza do ser coletivo, de pensar e estar junto, de propor coisas juntos e experimentar estar no mundo no plural.
cartografia afetiva dos fungos
MuNa museu universitário de arte uberlândia
Livro de artista coletivo feito a partir de imagens enviadas por pessoas de vários lugares do mundo.
vida sensível
MuNa - museu universitário de arte uberlandia
Parede manifesto
Deslocar o eu para o nós é um ato de resistência, ativismo delicado.
agora eu ouço os sabiás
Goiania galeria da FAV e Igatu
galeria arte e memória
escritas nos mapas e desenhos na parede
exposições com montagem coletiva
Na exposição tierra os trabalhos me aproximei dos processos a convite da curadora Susana Dias para colaborar com as obras Kaa Waasu, e Seyro Morotí – a sabedoria de uma árvore. Durante a montagem da exposição as artistas Lilian Maus, Valéria scornaienchi, Sylvia Furegatti e Susana Fias construíram o mapa de parede a partir de registros cedidos por Claudia Baré e Maria Alice Paulino.
Na residência artística perceber- fazer floresta propõe uma escuta das plantas na mata santa genebra.
A revista latente apresenta um texto que conta sobre esses fazeres coletivos, reflorestados e afetivos - imagens da coleta sendo devolvida para a mata como um ritual de agradecimento, na escrita de Gabriela Leirias
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Os bordados são uma investigação do fazer junto a partir de um proposição que é um convite a vir bordar, sem nenhuma intenção. As regras são: não precisa saber bordar, não pode dar palpite no bordado do outro, não é um lugar de aprendizagem mas de convivência, então não pode ensinar. Aprendendo todos estamos o tempo todo. Sempre é um tecido único que é compartilhado.
bordados coletivos
igatu
livraria candeeiro
atelie serafina
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intersecções
projeto que recebeu o artista Glayson Arcanjo
no atelie serafina para uma residencia de uma semana e criar algo juntos.
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pluriverso
Esses encontros foram pensados em parceira com a Feira Sub, feira de publicação independente de Campinas.
Dentro da minha prática artística tenho pensado muito sobre como aproximar as pessoas da natureza, ou seja, de nós mesmos que somos em essência a própria natureza, que eu chamo de pluriverso, mesmo estando na cidade. A proposta dos encontros é fazer junto, criar um corpo coletivo que cria junto a partir da escuta. plantas, águas, pedras e o vento tem muito o que nos ensinar. Precisamos aprender com quem está aqui no planeta antes de nós e vai permanecer quando a gente não estiver mais aqui. Buscar a sabedoria dos mais que humanos, das comunidades indígenas e quilombolas que tem sobrevivido a duras penas a essa politica de aniquilação instaurada no mundo. Precisamos estar juntes. Conectados ao pacto de manter todas as vidas humanas e mais que humanas.
Os resultados dessas oficinas serão apresentados na feira sub, em Setembro de 2024.
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projetos em parceria
Lendas brasileiras:
Fruto do trabalho de mestrado em Criação Musical e Sonora feito pelo trompetista Rubinho Antunes na Université Paris 8, o projeto Lendas Brasileiras traz a musicalidade de contos do livro homônimo do escritor Luiz da Câmara Cascudo, que foram ilustrados por mim, unindo assim 3 modalidades artísticas diferentes (música, artes visuais e literatura) no mesmo trabalho.
Para desenvolver esse trabalho passei algumas semanas ouvindo as músicas de modo que elas pudessem fazer parte de mim antes de serem expressadas. Escolhi então a aquarela como a linguagem mais adequada para esse projeto, pela fluidez com que senti cada uma das notas musicais. Enquanto ouvia a música deixava meu corpo se expressar através das cores e movimentos que, naquele momento já transbordavam
Zumbi dos Palmares
Cobra Norato
Livros de Artista em parceria
com Andrés Hernandéz
motores utópicos sensores reais – O curador Andrés Hernandez convidou alguns artistas para fazer esse livro para a Biblioteca do Amor, um projeto da artista Sandra Cinto, assim eu produzi algumas páginas desse livro de artista além da capa.
Poemário sobre algarrobo – Desenhos feitos a partir dos poemas escritos pelo Andrés. Pedi para que ele me enviasse alguns dos seus poemas lidos em voz alta e passei um tempo os ouvindo até que me senti imersa nas suas palavras e pude então desenhar e pintar.
e
arte escola:
Uma das questões que me atravessam é a educação. Por essa razão eu decidi alguns anos atrás fazer um trabalho com as professoras da rede pública. Vou as escolas para conversas, projetos em parceria, faço exposições e provoco reflexões sobre o papel do professor e como educar é muito mais ouvir do que falar. Como educar é acolher a criança e fazer com que ela possa expressar o melhor dela.