fevereiro

fluxos das águas

do avião

campinas-belém

belém

- as águas que me alegram

As águas da Amazônia sempre me atravessam . Invadem o corpo como um testemunho de gestos que pulsam com o correr dos rios. A baia do marajó e o rio guajará, em tons de bege e verde se movem enquanto sobem e descem. carregam o reflexo do céu enquanto descansam nas mudas margens.

marajó

do barco

travessia

Inventário dos jardins do marajó : O jardim da casa da Loren

  • frutas, leguminosas... gramineas, espontâneas e plantas exóticas.

    Comemos uma melancia do pé que o neto da Loren plantou e o primeiro jerimum.

    As plantas são organizadas em canteiros.

    Flores, borboletas, calangos, sapinhos, lagartixas, insetos, grilos, tudo que se permite viver pela dupla de gatinhos que habita a casa.

    Loren planta, cuida do jardim. Taperebá, cupuaço, buriti... um gazebo vai subindo no jardim. Espaço de danças e outras atividades corporais.  O vento também habita o jardim e o som das águas.  No inverno chove quase todos os dias, e a secura vira verde de todas as tonalidades. Há quem ja tenha vindo aqui no verão e se espantado com as cores do jardim no inverno.

    A vista do riomar também habita o jardim.  As cores das águas, bege, verde, escuras, claras dependendo da cor do céu,  e de onde vem as águas, do oceano ou do rio Amazonas.

    Toda espécie de semente vem com as águas, algumas vem parar no jardim ora porque são trazidas por pequenos animais ora porque são coletadas da praia.

    A vida no jardim é rica, cheia de raízes, folhas, flores, e entrelaçamento entre um e outro. Tem uma plameirinha, que me esqueci o nome que tem uma casca linda, frutinhas pequenas como o açaí e uma espécie de folha que seca e se parece um leque abaulado. Me encantei com as formas e com os gestos que elas impõem.  Um convite ao delinear delicado de repetição, quase uma meditação.  Desenhei os traços que se repetem, linhas curvas e afetivas, me ative a folhas e também ao invisível.  O que o corpo pode sentir ao conviver com o jardim. Me sentei na rede em contemplação algumas vezes. Senti o cheiro de terra molhada, cheiro de chuva como diria na infância.  Observei a chuva dançar no jardim,  danças de todo estilo. Rajadas de vento, as garotas fininhas, a chuva pesada, águas de toda sorte caem do céu no inverno marajoara. As mutucas estão impossíveis.  Só me lembrava de ver tantas antigamente em Ilha Bela. Não é possível ficar sem cobrir o corpo.

    Mesmo quando não vejo o jardim, sinto.a sua presença.

    A escuta das pedras torna-se também cromática — serena, especialmente delicada. Deslizes sensíveis, impregnados de memórias, de outros tempos, de sensibilidades desconhecidas.

    O sussurro das cores me toma de surpresa. E o espaço entre caminhar e captar uma imagem se funde em um só tempo: o tempo do encontro.

    Coleta de cores.

    Marajó, pa

Murmúrios de cor

nasce
da delicadeza
do encontro.

  • Caminhando pela praia de Água Boa, no Marajó, as pedras saltam ao meu olhar e me convidam à contemplação. Os passos tornam-se pausa. as cores deslizam no silêncio emoldurado pelo som das águas. Os olhos já não conseguem deixar de ver as nuances que emergem de cada pedra: camadas silenciosas, tempos sobrepostos, linhas que interrompem uma cor para fazer nascer outra.

    A escuta das pedras torna-se também cromática — serena, especialmente delicada. Deslizes sensíveis, impregnados de memórias, de outros tempos, de sensibilidades desconhecidas.

    O sussurro das cores me toma de surpresa. E o espaço entre caminhar e captar uma imagem se funde em um só tempo: o tempo do encontro.

    Coleta de cores.

    Marajó, pa

cartografias possíveis

  • Segue a chamada aberta cartografias possiveis. Trabalho coletivo que convida a pensar novos mundos, fabulaçoes e lidar com as realidades postas.
    Me mande por email vms151070@gmail.com uma frase, ou pequena reflexão que dialogue com a ideia 'viver em tempos de catástrofes e destruição. Como podemos emergir das ruínas?

    The call “Possible Cartographies” remains open to receive poetic contributions. It is a collective project that invites us to imagine new worlds, fabulations, and to engage with the realities we face.

    Please send me by email at vms151070@gmail.com a sentence or a short reflection that dialogues with the idea of living in times of catastrophe and destruction. How can we emerge from the ruins?**

  • venho pensando as cartografias como uma forma de redesenhar o mundo entre desastres e devires. entre compreender as coisas que estão dadas e as que podem vir, entre a realidade e as fabulações. o desenho é a linguagem que norteia todo o meu estar no mundo, desde as construções poéticas até a forma de compreender que estando na terra, desenhamos nossos contornos na carne da terra, e os nossos gestos cuidam ou criam cicatrizes, e por vezes, os dois.

    as proposições coletivas são pra mim a única forma de compreender um mundo em que todos cabem. em que existe uma escritura possível que redesenha todas as vidas, humanas e mais que humanas, tudo que pulsa e vive na terra. proponho olhar juntas e juntos para o que é estar na terra, para o que pode ser a vida no planeta, para as questões sociais, ambientais, políticas que nos envolvem e como fabulamos devires.
    o projeto é fluido como a vida, vai acontecendo aos poucos e criando um espaço de expressão
    e de reflexão, ao tom dos ventos, da chuva e do inverno marajoara.

    Os encontros e movimentos do projeto serão divulgados por aqui e no stories da @casadabeira

    Agradeço profundamente os queridos Andrea @andreafeijo.af e Paulo@pribeiro3005 por receberem esse projeto com tanto carinho. É uma alegria enorme compor novos devires com vocês.

notinha de rodapé:
Costumo desenhar no celular em voos, e viagens em que fico um tempo em suspensão. Desenhos de viagem.

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