agosto
tempo, há tempo, em tempo, quanto tempo
mococa
a instalação foi pensada a partir do espaço. os objetos pendurados como eu costumo fazer no ateliê, mas aqui em um estado de presença que convida a pensar a relação entre o lugar e os seres viventes.
para compor o trabalho eu perguntei a todos os artistas o que eles sentem quando entram na floresta.
fazenda Boiada, mococa, sp
Depois de 4 anos do lançamento do meu livro eu sigo me relacionando com ele de outras formas. Desenhando com as páginas. Conectando tempos, experimentando outras coisas com as imagens da mala que veio da gráfica.
há 4 anos
Tudo se refaz
um livro cíclico e maleável em que fotografias e desenhos contaminados como linguagem se dobram e nos convidam a circundar, a movimentar as páginas e a olhar por dentro, avistando espessuras de cores que nos deixam entrever coisas nunca terminadas e um estado latente de recomeços.
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Tudo se refaz
Projeto se deu a partir de um buquê de flores que a artista recebeu na pandemia e de algumas espécies coletadas nas suas caminhadas. Durante um ano a artista observou a jornada dessas plantas. Investigou poeticamente e registrou por meio de desenhos, fotos e da própria materialidade das plantas, seus vestígios com intuito de perceber como se comportam em seu tempo de vida e sobrevida. É um livro cíclico e maleável em que fotografias e desenhos contaminados como linguagem se dobram e nos convidam a circundar, a movimentar as páginas e a olhar por dentro, avistando espessuras de cores que nos deixam entrever coisas nunca terminadas e um estado latente de recomeços. “Jardins e ateliês, por alguma razão secreta, mantêm muitos graus de afinidade e parentesco. Sentimo-nos enfeitiçados nesses espaços porque neles está contida uma premissa, a duração de tempo, de memória e imaginação. Fora da racionalidade intrépida, movem-se irmanados, cúmplices de uma metamorfose, em ritmo lento, quase invisível a olhos nus. Nesses espaços de jardins e ateliês tudo pode ser eternamente recombinado. Tudo se refaz. Não há começos, mas recomeços, renascimentos e recriações”. Fabiana Bruno, curadora do livro.
Um sentimento de alegria
me invade
quando eu penso
nesse projeto lindo,
sensível e que permite
muitas reflexões.
tempo….
Empresto esse nome do primeiro livro que li de Emanuele Coccia, em meados de 2020. Atravessada por um corpo a beira da morte, em meio a pandemia me encontro com esse livro que traduz no momento essa aproximação com o sensível que eu vivia no corpo. De repente passei a pensar a importância do sensível, de um corpo vivo, aberto para todos os devires conhecidos e desconhecidos.
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Esse lugar para mim é um espaço entre, nem uma coisa, nem outra. Segui por meses com esse livro e depois de um tempo fui percebendo que o que me interessava de fato era trazer a experiência do sensível, porque corpos sensíveis não são facilmente colonizados, corpos livres que se permitem, e que podem assim ampliar sua visão de mundo e perceber outras nuances. Outros tempos que se dão na relação com outras formas de vida.
Assim foi conhecer os fungos com o trabalho da Anna Tsing, pensar a comunicação entre os micélios e as raízes das árvores em redes invisíveis e potentes de existência. Fui adentrando as pesquisas de Anna Tsing, textos e o Feral Atlas, e percebendo a rede de conexões entre as coisas mais invisíveis para nós, seres das cidades.
Esse vem sendo a base das minhas pesquisas na vida. Na compreensão de como ser alguém que interfere menos na vida do planeta, de como viver em sociedade de forma mais afetiva e menos competitiva, de como entender quais ações são possíveis como eventos da própria vida que possam de alguma forma trazer o sensível para a minha vida e para as vidas ao meu redor.
campinas, casa
mudar é um exercicio de paciência. Requer tempo, escuta profunda e muita resiliência.
Sobre fazer floresta na cidade.
Sobre compor com o espaço e com tudo que há nele.
campinas, atelier
Na mesa do meu ateliê eu ordeno e reordeno os pequenos fragmentos
Um recorte do acervo da Feira [SUB] exposto no ‘Projeto Estante de Livros e Cadernos de Artista’ do Depto. de Artes Plásticas do Instituto de Artes da Unicamp (DAP-IA) que tem coordenação geral de Sylvia Furegattti. A expografia do Acervo é de Valéria Scornaienchi. Curadoria de Fabiana e Marcela Pacola.
iNFORMAÇÕES:
Acervo[SUB] no IA/UNICAMP
Data(s):
de 12 de Agosto a 31 de Outubro de 2026
Horário de visitação:
Segunda a sexta-feira das 9h às 22h
Local: Instituto de Artes da Unicamp (DAP-IA)
Endereço: Rua Elis Regina, 50 – Cidade Universitária, Campinas - SP
EVENTO GRATUITO
campinas
Vídeo feito em parceria com a querida @marianaatelli
Pigmentos naturais, trajeto da formiga,
por Denise Valarini Leporino
assista aqui: https://www.instagram.com/p/Db9HQSGvMdF/
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